Numa noite escura, Leves asas te deu, De forma ainda tão dura, Voaste para o céu. Tua nova morada, Ali bem perto da lua, Que agora só é avistada, Do cima da minha rua. Desde esse instante, Vivo em chão incerto, Numa busca constante, De te ter sempre por perto.
Por isso da minha janela, De olhos postos no ar, Procuro a grande estrela, Para onde foste morar. Trago-te no coração, Leva-me no teu. Mostra-me então, Esse bocado de céu. Tua nova casa, Tranquila, leve e imensa, Onde sobre a tua asa, Ainda sinto a tua presença.
Vejo nas gotas de chuva, Que caem em dias tristonhos, A saudade que por vezes cruza Os nossos antigos sonhos. Mas sei bem que aí de cima, Me vês muito melhor. E com infinita estima, Acalmas a minha dor. Por isso aqui em baixo, Recordo a nossa vida, Rezo para que um dia, Possa voltar a ser dividida.
E ao longo do caminho, Tento ser tua imagem, Porque sei que com carinho, Acompanhas a minha viagem.