O Meu Pai Já Não Mora Aqui O Meu Pai Já Não Mora Aqui
acredita

1 ano

1 ano

Hoje é um dia triste, faz 2 meses que o pai foi embora. 2 meses de saudades que não se põem em palavras, de lágrimas que não se esgotam, de visitas em sonhos, que deixam o coração acelerado, de silêncios a sós, de partilhas incompreendidas. 2 meses de luto. Hoje o dia é triste, mas ao deitar, os soluços foram substituídos por lágrimas com um ph diferente. A tristeza teima em ficar, mas desta vez a alegria também veio reclamar o seu espaço. É inacreditável a força que podemos ter quando nos unimos, quando se unem a nós… Hoje faz 2 meses que o pai partiu, mas passaram horas desde que lancei “o meu pai já não mora aqui”. Nunca pensei que em tão pouco tempo o Instagram se cobrisse de azul e fosse possível haver tantas mãos estendidas para ajudar.

Enche-me de alegria poder agora homenagear o meu pai, a sua força ao longo da doença e o testemunho de esperança que deu a cada uma de nós. “Morrer é só não ser visto”, é o título de um livro muito bom que reúne testemunhos de quem já passou pelo luto. Hoje tenho a certeza disso, já não mora “aqui” mas anda por perto. Já viste pai? Na vida cheio de amigos, no céu cheio de “seguidores”. Que sigam também o teu exemplo e que este projeto dos 2 ajude os que ainda vão passar por isto a descobrir o amor no meio da dor e os que já caminharam pelo cancro a encontrar um espaço de colo e empatia.

Hoje faz 2 meses que foste para o céu e que vieste desafiar o meu coração a saber viver o amor de uma forma diferente. Prometo continuar a fazer caminho, na ❤ certeza de que moras perto, sempre perto 29 de fevereiro de 2024

Um ano de conversas boas e de novos amigos na dor. Um ano a ser vulnerável e a ver tantos a mostrar a sua vulnerabilidade para ajudar. Um ano a ajudar o coração a deixar ir, mas a senti- lo sempre perto. Um ano de @ja.nao.moraqui Que bom tem sido fazer crescer este cantinho de partilha e amor para tentar que o cancro deixe de ser um tabu e que a vida dos que passam por ele se torne mais leve e acompanhada, através desta paleta de cores pastel. A AZUL contei a nossa história, que não é só nossa, mas de tantas famílias em Portugal. A AMARELO tentei ser companhia para os que vivem outras histórias azuis, para que não se sintam tão sozinhos. A VERDE procurei mostrar aos meus amigos, família e todos aqueles que estão de fora, de que maneira nos podem ajudar a fazer caminho.

Agora, a LILÁS, vou tentar mostrar um bocadinho da nossa viagem pelo luto ao longo do último ano, desde que o pai deixou de morar aqui. Sem regras, sem certos e errados, mas com o coração, na certeza de que é um caminho acidentado, com muitos avanços e recuos, mas onde também é possível encontrar amor, mesmo que às vezes precisemos de uma lupa. Obrigada aos que leem o que escrevo, aos que partilham para que chegue a quem mais precisa, aos que me contaram a sua história, mesmo sem me conhecer e aos que tentam, no dia a dia, ajudar a tornar a vida das famílias que vivem o cancro mais leve. Que o @ja.nao.moraqui continue a ser “um espaço de partilha sobre o cancro de um pai onde a dor foi equilibrada com muito amor”

Continua a ler

Outros conteúdos de Acredita.

Capa do conteúdo “Quando (não) estás sozinho”
Acredita

Quando (não) estás sozinho

Quando o cancro aparece para ficar, passamos a viver a dois tempos. O tempo dos outros e o nosso. Falamos das complicações da doença e das mudanças abismais na nossa vida, mas…

Ler
Capa do conteúdo “Ser feliz nos tempos livres”
Acredita

Ser feliz nos tempos livres

Quando a dor passa a fazer parte da rotina. Quando os dias passam e mostram que não vão voltar atrás. Quando a vida dá sinais de que vai ter de seguir. Quando as datas…

Ler
Capa do conteúdo “Músicas que nos compreendem”
Acredita

Músicas que nos compreendem

Querido _____ que estás agora a caminhar lado a lado com o cancro, ou querido ____ que ainda estás a digerir o fim de uma viagem tão agridoce como esta, sei bem o quão…

Ler