O Meu Pai Já Não Mora Aqui O Meu Pai Já Não Mora Aqui
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Dia do pai (que já não mora aqui)

Dia do pai (que já não mora aqui)

Porque hoje é o dia é agridoce e leva o coração a passear num vagão de uma montanha russa entre memórias boas e saudades que se sentem com mais força, Porque o orgulho no nosso pai não desaparece quando já não o temos a morar aqui, mas cresce e aumenta a vontade de o abraçar e de lhe agradecer o exemplo que foi e é para nós, Porque, apesar de tudo, o céu é perto e os miminhos são fortes o suficiente para trespassarem as nuvens, Bom dia do pai, querido Pai , “criativamente” vamos encontrando formas de te sentir perto, ainda que longe ❤

A ti que és pequenino e neste dia não percebes porque é que o teu pai é o único que não entra na tua sala de aula para brincar contigo. A ti que és mais velho e não podes dar o presente que estás há semanas a fazer na aula de EV à pessoa que mais o merecia e mais ia vibrar com ele. A ti que já és adolescente e gostavas que a mensagem que escreveste hoje tivesse uma resposta mais concreta, mais visível e que não chegasse por sinais subtis, por vezes difíceis de compreender. A ti que és adulto, mas continuas a sentir saudades de receber um abraço apertado do teu pai, como quando eras criança.

A ti que viveste o cancro e sabes que não devemos guardar as demonstrações de carinho para os dias especiais, porque todos os dias são dias para se ser carinhoso. A ti que és mãe de um filho que perdeu o pai e sentes um aperto no coração ao sentir que os miminhos que tens para dar são imensos, mas podem parecer insuficientes para preencher o vazio que as saudades deixam no coração. E a ti que és pai e já não moras aqui, mas sabes fazer-te presente neste e em todos outros dias, de forma criativa, para que as as boas memórias sejam porto de abrigo das saudades e os teus filhos não se sintam sozinhos, Um dia do pai onde o colo, o amor e a empatia saibam acalmar a dor e relembrar o coração de que mora perto, só pode MESMO morar muito muito perto!

Que o dia do pai tenha sempre espaço para a alegria dos que o vivem junto do seu, mas que com carinho e muita empatia encontremos formas de acolher as emoções daqueles cujo pai já não mora aqui

Quando o cancro chega a uma família, todos os dias passam a ser dias para relembrar o quão importantes são os outros na nossa vida. Mas hoje, em especial, gostava de lembrar com carinho e uma gigante admiração, todas as mães que, na terra, têm, de repente, de aprender a ser malabaristas de circo para conseguirem ser pai e mãe ao mesmo tempo. Porque quando um pai já não mora aqui, geralmente há uma mãe que fica: Uma mãe que é colo de uma saudade que é tão difícil de pôr em palavras e que não passa com o tempo, mas precisa de ser acolhida todos os dias. Uma mãe que se sente impotente perante o sofrimento dos filhos e que dava tudo para poder trocar com eles e sentir a sua dor, no seu lugar.

Uma mãe que se deixa muitas vezes para último, numa tentativa sobre-humana de que os filhos tenham uma vida leve e sintam um bocadinho menos a falta que o pai faz, preenchendo com muitas coisas, o vazio que o cancro deixou no coração de cada um. Uma mãe que assiste a birras e a algumas reações desproporcionadas, fruto das saudades e do turbilhão de emoções que o luto traz consigo, que tem de gerir com muita paciência e amor, sem, no entanto, esquecer o seu principal objetivo, que é educar para a vida. Uma mãe que deixa de poder viver a parentalidade a dois e de ter alguém para discutir as decisões mais difíceis e por isso se sente muitas vezes sozinha, num caminho com algumas curvas e poucas placas de orientação.

Uma mãe para quem a vida passa a ter outro valor porque viu a doença chegar de rompante e virar uma família de pernas para o ar e por isso vive, em segredo, o medo de um dia ter de voltar a passar por ela e deixar os filhos desamparados. Uma mãe que fica com o coração nas mãos quando chegam os dias especiais e sabe que a alegria dos outros pode ser espelho de uma tristeza que é difícil de consolar e por isso esgota todos os créditos de criatividade para que os filhos sintam o pai presente à sua maneira. Uma mãe que muitas vezes também está a fazer o luto, mas tenta sempre ser exemplo de esperança num horizonte mais solarengo, onde o céu e a terra são sempre mesmo mesmo perto.

Uma mãe que não cabe em três pequenas letras e que, ainda que não peça, também precisa de muito muito colo. Por tudo isto, um um abraço gigante e um “Obrigada” ainda maior, a esta que é a mãe de tantos, mas que também é a minha ❤

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