Já não mora aqui Nem em casa, nem na terra. Agora mora perto, No céu que o horizonte encerra Às vezes vem visitar-me, Chega a bordo de uma nuvem, Da melodia de uma música Ou das estrelas que de noite surgem Outras vezes faz-se presente, Na imensidão do mar Nos lugares que eram só nossos Ou num sonho bom ao deitar Deixou por cá um grande monstro Ao qual muitos chamam de “dor” Vamos sobrevivendo a ela Lembrando o seu testemunho de amor.
E quando as saudades apertam E as lágrimas teimam em cair Procuramos colo que console Esta tristeza de o deixar ir Ficam conversas sem resposta Ficam abraços por dar Mas ficam memórias que confortam Fica o significado do que é cuidar Já não mora aqui. Mas sei bem que mora perto. Não na terra, mas no coração. Aí mora decerto .